Mudanças climáticas: o papel do setor elétrico
A geração de energia elétrica é responsável por 1,4% das emissões de gases de efeito estufa produzidos no Brasil.
I - Metas obrigatórias de redução de emissões de gases de efeito estufa para países desenvolvidos e em desenvolvimento.
II - Contribuições por setor devem ser consideradas na definição das metas obrigatórias de redução de emissões de gases de efeito estufa.
III - Transferência de Tecnologia
IV - Definição de critérios para a participação de fontes renováveis na matriz elétrica brasileira.
V - Alinhamento do discurso e da prática governamental ao Plano Nacional de Mudanças Climáticas.
VI - Revogação da Instrução Normativa Ibama nº7 e estabelecimento de teto/ taxação para emissões de carbono provenientes do consumo de combustíveis fósseis em todos os setores.
Estas seis propostas, apresentadas pelo Instituto Acende Brasil, em Brasília, foram debatidas por autoridades do governo, comunidade científica, especialistas do setor de energia e organizações não governamentais durante o V Fórum Instituto Acende Brasil - Mudanças Climáticas e o Setor de Energia: Rumo a Copenhague.
Com a lupa de observatório do setor elétrico, Claudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil, defende que os países desenvolvidos comprometam-se com metas mais agressivas de redução de GEE e prazos menores que os países em desenvolvimento. "As metas tem de ser diferenciadas, de acordo com as emissões e respectivas capacidades de cada país".
A mesma lógica, entende o executivo, deve ser utilizada na definição da contribuição por setor:
"Setores com maior potencial e custos menores devem ter metas mais agressivas de redução de GEE." Para ele, não se pode perder de vista a análise do custo-benefício para limitar-se a emissão de carbono. "A pergunta que sempre deve ser feita é: Quanto custa tirar uma tonelada da CO2 do Setor Elétrico? Da Agricultura? Do Setor Químico?... Setor a setor."
A questão do custo também tem de ser contemplada quando se quer garantir a transferência de tecnologia. A tese do Instituto Acende Brasil é a de que se deve assegurar que todos os países tenham acesso a tecnologias boas para o clima e cujo custo seja suportável. Para isso, afirma Sales, "os países desenvolvidos devem apoiar os países em desenvolvimento por meio de financiamentos, da criação de centros de pesquisa, e o que mais houver para ser feito".
No Plano Nacional de Mudanças Climáticas, o governo estabelece como meta o aumento das fontes renováveis na matriz elétrica brasileira (hidrelétricas, biomassa, eólica, solar e pequenas centrais hidrelétricas), hoje em torno de 80%. Mas o Instituto Acende Brasil considera mais realista investir na definição de critérios para a participação de fontes renováveis na matriz elétrica brasileira. Isso porque o Brasil não pode ser dependente total de fontes renováveis: precisa das fontes térmicas como fontes complementares de energia para garantia de abastecimento.
Quando o Instituto coloca como proposta a necessidade de alinhamento do discurso e da prática governamental ao Plano Nacional de Mudanças Climáticas, refere-se não só à proposta acima, de aumento das fontes renováveis na matriz elétrica, mas também aos leilões de energia que privilegiam a entrada de térmicas com premissas não realistas em relação às condições de operação, distorcendo a competição, o que vai na contramão da compensação de emissões de gases de efeito estufa.
Já o pedido de revogação da Instrução Normativa nº7, do IBAMA (sobre taxação para emissões de carbono para usinas que usam combustíveis fósseis) é no sentido de fazer uma lei mais abrangente e que não se limite apenas ao setor elétrico, mas seja extensiva a todos os setores que utilizem combustíveis fósseis.
Cinquenta e quatro por cento das emissões de gases de efeito estufa são resultado do desmatamento. A geração de eletricidade, com 1,4%, ocupa a sétima posição como fonte de emissão de gases de efeito estufa no Brasil. Entre o primeiro e o sétimo lugares, estão, pela ordem, Agropecuária com 26,8%; Transporte, com 6,4%; Indústria do Aço, com 3,2%; Setor de Óleo e Gás, com 1,8%; Lixo, com 1,8% e Setor Químico com 1,4%.
Participaram do debate: Branca Bastos Americano, diretorado Departamento de Mudanças Climáticas do Ministério de Meio Ambiente; Luiz Gylvan Meira Filho, professor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo; Pedro Sirgado, diretor executivo do Instituto EDP - Energias do Brasil; José Domingos Gonzalez Miguez, coordenador geral de Mudanças Globais de Clima do Ministério de Ciência e Tecnologia; Altino Ventura Filho, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, e Carlos Eduardo Rittl, coordenador do Programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil.
As principais propostas e conclusões do "V Fórum Instituto Acende Brasil - Mudanças Climáticas e o Setor de Energia: Rumo a Copenhague" serão encaminhadas ao ministro das Relações Exteriores, autoridade que representará o país na 15ª Conferência do Clima (COP-15), que vai reunir os países signatários da Convenção do Clima, em dezembro, em Copenhague, capital da Dinamarca.
Na COP-15 serão discutidas diretrizes para conter o aquecimento global, a partir de 2013.
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